Vietnã: se correu, eles comem - Cachorros e Fantoches

Fui a Hanói com dois objetivos: provar carne de cobra e assistir ao peculiar teatro de marionetes aquáticas. Até o fim de minha estadia de quatro dias na cidade ambos os objetivos estariam completos. No entanto, antes que eu pudesse realmente “me sentir em casa” em Hanói, ocorreu um daqueles imprevistos que chateiam qualquer viajante: problemas com a organização do hotel. Aparentemente nosso quarto não existia. Pelo menos foi isso que eu e meus companheiros de viagem, um amigo e minha namorada, pudemos concluir, após cuidadosa observação das incompreensíveis discussões entre os funcionários em vietnamita, discussões sempre acompanhadas de olhares preocupados e envergonhados dirigidos aos parvos brasileiros sentados na recepção. Por fim, o gerente do hotel se dirigiu a nós com uma das desculpas mais interessantes que já ouvi: “O quarto de vocês está com cheiro ruim. Por isso iremos acomodá-los em outro hotel de mesma categoria aqui ao lado”. Tudo bem, pensei. Vamos até lá verificar o quarto. O gerente nos acompanhou. 

 

A partir daí começou uma curiosa e cansativa peregrinação por Hanói. O quarto do hotel do lado era pequeno demais. O hotel com um quarto bom era longe demais. O hotel perto com quarto bom não tinha vagas. Tudo isso, felizmente, acompanhado pelo sorridente gerente do primeiro hotel, que também arcou com os custos dos taxis. Finalmente a fome e a irritação começaram a tomar conta de todos, incluindo o próprio gerente, que resolveu nos proporcionar um inesperado upgrade: hospedou-nos em um hotel a duas quadras do original, um três estrelas que, após um mês de viagem pelo sudeste asiático, soava como um cinco estrelas. Toda esta romaria ao lado de nosso acompanhante local proporcionou ricas conversas e uma profunda amizade de um dia, daquelas comuns entre mochileiros solitários.  

 

 

 

Quer saber mais? Aguarde. Este texto estará disponível na íntegra, em breve. 

 

Nosso amigo, o gerente, estava ansioso pelo veredicto. Dissemos que gostamos muito (uma evidente mentira, visto que deixamos quase toda comida intacta, porém uma mentira que visava não chatear uma pessoa tão simpática), mas que só queríamos mesmo provar, pois tínhamos reserva para jantar em um restaurante. Deixaríamos a comida de presente para eles. Naquele dia acabamos comendo um Pho, tradicional prato de noodles vietnamita, em uma biboca na rua, que usava a mesma água de levar pratos para cozinhar o macarrão. Mas esta é outra história. 

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