Do simples ao complexo - parte 2

Voltando ao bairro do Plateau, ou melhor, começando por ele, pois vivi ali alguns dias e pude explorá-lo bastante, compreendi o quanto Montreal poderia ser cosmopolita, abrigando culturas imigrantes de todo o mundo. Por lá, encontrei diversos restaurantes étnicos (judaico, indiano, árabe, italiano, etc), algumas delis, uma cervejaria artesanal, e um restaurante-balada muito interessante: música alta, clima de festa, mesas e cardápio vasto e uma oferta irrecusável – todos os itens no cardápio por apenas 5 dólares! E não pense mal disso, pois tudo era delicioso (ou pelo menos tudo que eu pude provar). Foi nesse bairro também que participei, em uma noite, de uma espécie de “festa dos idiomas” – que acontece todas as quintas, organizada pelo pessoal do Mundo Lingo. 

 

 A festa era o resumo da utopia viajante. Na entrada, duas pessoas com pesados livros contendo adesivos com bandeiras de diversos países perguntam de onde você é. “Brasil”. Isso gera sorrisos, exclamações e muita alegria, como de costume. Então, essas pessoas pesquisam no livro e entregam um adesivo com a bandeira de seu país, no meu caso, uma bandeira do Brasil, para ser colada no meu peito. Na sequência, você conta todas as línguas que fala, em uma ordem da mais fluente para a menos fluente, e vai recebendo os adesivos referentes a essas línguas (fala russo? Recebe uma bandeira da Rússia. Fala alemão? Recebe uma bandeira da Alemanha. E assim por diante). A título de curiosidade, se você fala inglês, recebe uma bandeira do Canadá! Passada a fase de adesivar a camisa com bandeirinhas, agora é entrar no bar, reconhecer as bandeiras nas vestimentas alheias e sair falando. Simples assim. Peça um drink, olhe para a pessoa ao lado. Opa! Um rapaz da Alemanha e você quer praticar seu alemão? Comece a conversar. Não demora muito para alguém puxar conversa também. Uma chance incrível de conhecer pessoas, conhecer culturas, e praticar uma língua. Não é para amar essa cidade?

 

Mas como Montreal é muito maior do que o Plateau, preciso sair desse aconchegante bairro e explorar o que mais existe por lá. Entre as coisas que chamam atenção, destaco o Museu de Arqueologia e História de Montreal. Totalmente interativo, o museu é construído sobre as ruínas de um antigo edifício que foi originalmente erguido na época da colonização. O lugar permite ao visitante caminhar pelas ruinas, além de proporcionar uma experiência de retorno ao passado com ajuda de tecnologia digital, em uma experiência de realidade ampliada única. Um dos mais interessantes museus que já visitei. 

 

Saindo do museu, que fica bem próximo ao calçadão na beira do rio Ontario, o convite é para caminhar por ali, até que se decida entrar em uma das estreitas ruas do centro antigo que é circundado pelo rio. Se você retirar da equação as hordas de turistas e as incontáveis lojas de souvenires, terá uma experiência deliciosa e com sorte vai conseguir sentar em algum agradável café. Eu, por outro lado, apesar de ter curtido flanar por esta parte da cidade, preferi gastar meu tempo em outros dois pontos, um tanto distantes dali: os mercados da cidade. (Preciso continuar apontando razões para amar Montreal? A cidade não tem apenas um mercado municipal, mas dois! Posso mudar para lá agora). 

 

 

Destaco em especial o marcado Jean-Talon. Por que ele foi meu favorito? Bem, fico aqui pensando qual seria a melhor parte dele. Serão as diversas barracas de frutas e vegetais, oferecendo pequenas cenouras coloridas, diversas frutas vermelhas, e variados tipos de mel? Ou talvez fosse a barraca de ostras com mais de 15 tipos de ostras vindas de todo o litoral canadense – cada uma classificada de acordo com origem, sabor e aroma? Seriam as diversas barracas de comida, com destaque para um crepe delicioso e uma torta de noz pecan incomparável? Ou a loja de queijos – a província de Quebec herdou da França a paixão e a expertise da produção de queijos? Ou a loja de azeitonas? (Sobre a loja de azeitonas: imaginem azeitonas enormes, do tamanho de um dedão, recheadas com as mais diversas possibilidades: queijo de cabra, castanhas, tomate seco, anchovas, cogumelos, sardela, queijo gruyé, queijo rockfort...). Acho que, apesar de todos esses destaques deliciosos que descrevi, o melhor do mercado talvez seja a loja de chás! Frustrante para vocês? Bem, eu amo chás e essa era uma loja inteira dedicada à bebida, com diversas possibilidades de chás e infusões: tipos distintos de chá preto, verde, branco, oolong... além de infusões diferentes de tudoo que já provei, como uma feita com folhas de pinheiro canadense. Trouxe comigo uma amostra desta última. Cada vez que abro o saquinho no qual ela está guardada, uma lufada de ar do norte me ataca e me sinto imediatamente enviado para as florestas canadenses. Se for visitar o local, peça por chá de Pine Needle. Você não irá se arrepender. 

 

 

Em termos culinários, o Canadá não cansou de me surpreender, mas Montreal, em especial, superava toda expectativa! 

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